Os Desfiles de Andor
Seg, 14 de Julho de 2008 14:18
Os Desfiles de Andor na Rua XV - Curitiba - PR - Brasil
No princípio dos anos 90, INRI CRISTO realizava semanalmente um desfile de andor pela Rua das Flores em Curitiba; era carregado pelos seus filhos conscientes de que ele é o mesmo Cristo crucificado há dois mil anos. Líder de um movimento revolucionário, acompanhado pelos destemidos "pobres de espírito", INRI CRISTO desafia certezas e valores pré-estabelecidos.
O séquito começava na Universidade Federal do Paraná, transcorria todo o trajeto da rua das Flores e terminava em frente ao Palácio Avenida, local conhecido como "Boca Maldita". INRI CRISTO proferia sermões dando a conhecer sua identidade, exortava os presentes a pautar suas vidas na senda do amor e anunciava as profecias do final do mundo, o futuro da humanidade.

Mas havia um grande contraste. Enquanto os verdadeiros filhos de DEUS olhavam-se pasmos, paravam e se ajoelhavam para pedir-lhe uma bênção, os fariseus, encabrestados, gritavam: "Ele não é CRISTO porque bebe água, CRISTO não bebia água! Anticristo! Vou te derrubar do andor!" Proferiam toda sorte de verborréias contra o Filho do Homem, que, sereno e majestoso, a tudo contemplava com autoridade de quem sabe e é Senhor. Entre blasfêmias, grunhidos de porcos e latidos de cães, a voz do Unigênito de DEUS era ouvida pelo povo; mãos malditas jogavam-lhe bolinhas de papel e barro recolhido dos canteiros de flores. Ao longo do trajeto, arremessavam toda sorte de abominações contra seus seguidores: sacos de água, lixo, tomate e ovos objetivando que desistissem do intento.

Enquanto se cumpre o tempo da reprovação (Lucas c.17 v.25 a 35), INRI CRISTO desbrava o terreno da incredulidade pelas ruas e praças, e impõe sua presença e sua mensagem, confundidas com a loucura. Ele prega o reino teocrático sobre a terra. O que poderá significar esse reino a um mundo conturbado pelas guerras, opressões, injustiças, etc? Só os assinalados, eleitos, assimilam (Apocalipse c.7 v.4). Chegará o momento em que o homem concluirá que sua história é traçada por uma inteligência transcendente e tem um sentido misterioso, uma dimensão profética e espiritual que foge aos raciocínios comuns, e não somente uma seqüência de fatos e conflitos que impulsionam os acontecimentos.
No final do desfile, imbuído da espada de dois gumes que é sua língua (Apocalipse c.1 v.16), INRI CRISTO amaldiçoava os blasfemadores e abençoava os espectadores, na condição de juiz que veio para julgar e não para ser julgado. Faixas os seguiam, dentre as quais uma dizia: "Os porcos grunhem, os cães latem, enquanto o Unigênito de DEUS, INRI CRISTO, anuncia o fim deste mundo caótico. Os sensatos meditam..."
Assim falou INRI CRISTO: "A bestialidade não compreenderá o que estou fazendo e vou fazer; a humanidade, não obstante, compreenderá."

"Estou certo de que, se CRISTO voltasse, os maiorais da religião, da Igreja, o condenariam" (Luis Buñuel - cineasta, poeta, pensador).
Procurar entender INRI CRISTO dentro do "racionalismo" a que estamos acostumados é um contra-senso, pois ele pertence ao campo do supra-racional, veio ao mundo, sem livre arbítrio, unicamente para executar o plano do ALTÍSSIMO.

Filho do Homem - é a encarnação da natureza divina manifestada na unicidade dos dois princípios do CRIADOR: o masculino e o feminino, que conferiram ao primeiro homem, Adão, a caracterização genética do andrógino perfeito, exclusivo da perfeição divina. "O homem feito à imagem e semelhança de DEUS" (Gênesis c.1 v.26 e 27). Numa segunda etapa encarnatória, o andrógino, Adão, foi dividido em masculino e feminino - Adão e Eva. Passados milênios do curso da história humana, reaparece novamente Adão andrógino, o Unigênito de DEUS, na condição de Messias. A princípio chamou-se Emanuel, conforme Isaías c.7 v.14. Aos trinta anos, quando foi batizado por João Batista, houve a incorporação do Espírito de DEUS. (Somente CRISTO tem a forma biofísica para incorporar o Espírito divino). A partir de então passou a se chamar Jesus, o CRISTO, e a ter vida pública. Nesse estágio encarnatório, pagou débito à lei pelo pecado cometido no éden, que originou uma humanidade pecadora. Somente agora, no novo processo encarnatório, é que CRISTO poderá estabelecer o Reino de DEUS sobre a terra, de que falava há dois mil anos, na qualidade de Messias ilibado e invencível. (Angelina Schmidt - teóloga )















